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Tempo e Planejamento no Audiovisual

Foto do escritor: Matheus MagreMatheus Magre

A professora Luciana trabalha soluções de tempo com os grupos

O tempo é algo muito valioso durante a realização de um filme. Num set de filmagem, por exemplo, tudo é milimetricamente cronometrado, para evitar qualquer possibilidade de erro ou atraso. Em geral, a equipe tem um número grande de cenas para trabalhar num espaço de tempo que ainda inclui vestir/maquiar os atores, possibilitar a repetição de cenas, almoço, etc. Com isso, existem maneiras de otimizar o tempo de gravação, mas é necessário muito planejamento prévio.

A aula do dia 21 de setembro de 2019, na turma de Direção Audiovisual, foi comandada pela professora Luciana Bezerra nos turnos da manhã e tarde. Desde as últimas aulas, ela tem aproximado a realidade de um set de filmagem e do planejamento por trás dele, para os alunos. Na data em questão, ela exibiu dois curtas: “Por Menores” e “A Menina da Porteira”, para exemplificar maneiras criativas e diferentes de como os alunos poderiam trabalhar os enquadramentos de imagens de suas histórias. Para cada um desses dois curtas, eles fizeram o exercício de contar quantos planos e sequências(conjunto de cenas), eram capazes de identificar.


Os alunos analisam curtas exibidos, para contar enquadramentos e cenas

Um roteiro é, nada mais nada menos, que um guia. Não é à toa que, seu nome em espanhol seja guión: ele serve como base e raiz para fixar a produção. Entretanto, mesmo um roteiro potente, como dos cinco curtas, elogiados pela professora, precisa de uma interpretação sensível do diretor e uma execução em equipe para dar vida ao texto de maneira criativa. Nesse sentido, ela usa dos dois curtas citados anteriormente para exemplificar como eles podem alcançar isso, mantendo a integridade da visão dos realizadores, mas também, otimizando o tempo de filmagem. “Por Menores”, por exemplo, é um curta feito inteiramente sem diálogos, mas contando uma história mesmo assim. Os enquadramentos são muito diferentes entre si: nenhum plano é igual, portanto o curta nunca fica repetitivo. As imagens que compõem a narrativa são todas feitas de detalhes: closes nos olhos, detalhes das mãos, e o uso do som, que não é de conversa, potencializando a cena pelo barulho potencializado de coisas pequenas. O açúcar derramado em uma xícara de café vira quase que um terremoto, em uma mesa de café, onde a tensão de um casal que não se ama mais, cresce. Já “A Menina da Porteira” é um filme de terror, realizado todo em um dia. Algo parecido com o que as equipes vão precisar passar. No entanto, mesmo com amadorismo da produção, a professora demonstrou importante ressaltar como filme consegue incluir flashbacks e sintetizar informações importantes em um período tão curto de tempo: os diálogos, por exemplo, são feitos em um plano conjunto, onde os dois atores compartilham o espaço. Se fosse feito de forma separada, a cena teria que ser repetida, e em cada momento, a câmera estaria focada em um dos dois atores, criando um plano contra plano. No entanto, ao transformar isso em um único enquadramento, tempo de filmagem foi salvo. Além disso, algo ilustrado pelos dois curtas foi que: o som que não é diálogo ajuda a compor a imagem. Diálogo o tempo todo, pode causar a impressão de novela, onde as falas são longas. Cinema, é diferente, buscando usar mais do recurso que a imagem oferece.


Início do teste de figurinos para os curtas

A aula de Interpretação para produções Audiovisuais, manteve o caráter de ensaio e preparação de elenco. Comandada pelo assistente de coordenação, Fernando Barcellos, os diretores de cada curta encontraram seus elencos em um horário pré-definido, para treinarem cenas específicas do roteiro. Com isso, podendo potencializar qualidades e trabalhar fraquezas. Aconteceu também, o teste de figurino para alguns grupos, peça fundamental na elaboração de um personagem, e que auxilia o ator a se sentir "na pele" de quem ele interpreta, com mais vigor. Vale destacar também que um dos curtas, "Du Passinho", tem sua trama muito voltada para o estilo de dança do título. Para dar mais credibilidade ao projeto final, o filme teve uma adição no elenco de Hiltinho Fantástico, dançarino, coreógrafo e professor de Passinho, nascido na Baixada e que já fez participação em programas como "O Caldeirão do Huck". O dançarino além de entrar no elenco, treinou o estilo com outros atores em um processo de aperfeiçoamento de personagem.


Cada grupo, terá 12 horas apenas para filmar seus curtas, não podendo ter tempo a perder. Em tão pouco tempo, é necessário planejamento certeiro e criatividade para síntese: despir o filme de seus excessos e focar exatamente no que importa. O filme não é apenas um “trabalho” a ser realizado em um dia: ele é algo que não pode sair da cabeça do diretor enquanto não estiver feito.


Hiltinho Fantástico entra para o elenco de "Du Passinho" e ensaia com ator

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